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No último domingo, 27/6, aconteceu o quinto e último dia de São Paulo Fashion Week (SPFW) N51 com mais oito apresentações incríveis.

Confira a seguir todos os desfiles do quinto dia de SPFW N51:

Wilson Ranieri

Há mais de dez anos fora do line-up, o quinto e último dia de SPFW N51 marcou a volta de Wilson Ranieri.

Em seu ateliê, Ranieri trabalha com “outra estrutura de produção e de coleção, bem mais personalizada e sob demanda”. Além disso, ele afirmou que teve maior dedicação à qualidade, aos acabamentos, à construção das peças.  “A ideia que os tecidos, as peças, os acessórios, tudo seja feito de acordo com o que a pessoa ou loja quiser. E que esses itens possam se misturar a tantos outros que faremos e que já existam”.

O fashion film não teve uma história por trás, era apenas uma amostra de suas roupas práticas com elementos esportivos.

Um tecido de estampa floral de fundo escuro comprado há mais de três anos foi a base para criar essa coleção.

As peças eram simples, em malha, cetim de seda, musselina de seda e georgete plissado, mas muito bem construídas e com detalhes diferenciados como pequenos volumes, pregas, babados e golas trabalhadas.

A paleta de cores ficou, além do floral de fundo escuro ora composto com roxo, tons fortes de fúcsia, azul e terracota.

Eu amei, principalmente, os looks monocromáticos, que deixavam ainda mais evidente todo o trabalho impecável do estilista nas peças.

Confira a seleção de looks:

Soul Básico

A Soul Básico, fundada em 2019, estreou na Semana de Moda no quinto dia de SPFW N51 com a coleção Re-Verso.

Inspirado nos filmes de David Lynch, a marca refletiu sobre fim e começo. “A gente quis brincar com a passagem do tempo pela luz, então a coleção começa com uma paleta mais leve e vai escurecendo, que marca e lembra essa passagem do tempo do dia para a noite”, disse Zeh Domingues, diretor criativo da marca.

“É uma reflexão sobre o tempo e, pela primeira vez, a gente parou. Não tinha como não parar. Eu tive um burnout, fiquei quatro dias na UTI e não sabia o que fazer. Eu queria fazer peças mais atemporais, autorais, coerentes com os dias de hoje”.

Para o fashion film, a Soul Básico convidou Thi Arruda, professor de meditação, para traduzir em movimentos a proposta da coleção.

As peças poderiam ser usadas de diversas formas como camisas com abotoamento diferente, jaquetas que podem se tornar coletes e roupas dupla face.

Além de tecidos tecnológicos e sustentáveis, a coleção é leve e sem gênero. “Os tecidos são ainda mais tecnológicos, além de sustentáveis. Essa é a base da marca”.

Fiquei encantada com a estampa listrada em quimonos, conjuntos, blusões e cardigãs.

Confira a seleção de looks:

Victor da Justa

A dualidade entre o analógico e o digital inspirou Victor da Justa a criar a coleção Cognição Faminta.

Ele ainda reflete sobre excesso de informação e fake news, super consumidos nesse momento de pandemia.

A estampa de garfo, intitulada Notiícia Servida, faz alusão ao filme A Pequena Sereia no momento em que Ariel encontra o garfo.

Lonas e tecidos de algodão trouxeram QR Code como pied de pule, enquanto jornais e livros apareceram como um quebra-cabeça.

Confira a seleção de looks:

Ponto Firme

Iniciativa liderada por Gustavo Silvestre, o Projeto Ponto Firme oferece qualificação em crochê e costura para detentos.

A inspiração para a coleção foram máscaras criadas por Anderson Figueiredo, egresso do sistema prisional, que participou do Projeto. “Quando as vi, eu fiquei enlouquecido com o talento dele. Então criamos toda essa coleção para compor as máscaras”, disse Silvestre.

Criadas a partir de descarte têxtil e reaproveitamento de doações e acervo, as peças foram ressignificados com técnicas de crochê. O crochê aparecia como aplicação ou como se fizesse parte da peça.

Havia jeans com crochê, leggings, vestidos, regatas, além do patchwork, que chamaram muito a atenção.

Os fios escolhidos para criar as peças foram Encanto e Susi, Verano, Anne e da Círculo S/A, sendo que esse forneceu o fio Glow, que permitiu a criação de um vestido que brilha no escuro.

Os acessórios foram empréstimos da artista Sônia Gomes, feitos com botões, zíperes e resíduos têxteis.

O crochê dessa coleção foi criado por ex-detentos da Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos, e o valor da venda das peças será revertido para os artesãos.

Confira a seleção de looks:

Renata Buzzo

Para a SPFW N51, Renata Buzzo apresentou a coleção Júpiter e Saturno inspirada no alinhamento dos astros em dezembro de 2020, e num poema escrito por ela que leva o mesmo nome.

O intuito de Renata Buzzo foi mostrar diversos desencontros entre duas pessoas, já que é muito difícil a conjunção entre esses dois planetas, que só acontecerá novamente em 2080. “Para descrever essas diferenças psicológicas e materiais, usamos como figura de linguagem os quatro elementos da natureza: ar, água, terra e fogo. Um personagem majoritariamente de ar não consegue ser compreendido pelo personagem da água, que tenta ser terra num esforço em se apresentar estável e confiável”, explicou Renata.

A Era de Aquário veio como para dar um ar de anos 1970 ao fashion film.

Do espantalho, figura oca, vieram mangas exageradas e silhuetas. Havia quadrados como desenhos de acres, como são enxergadas as terras de forma aérea.

Júpiter trouxe tons terrosos e rosados, enquanto Saturno, os mais amarelados, além das cores trazidas pelos elementos da natureza como o azul pálido, marrom, alaranjados e avermelhados e ocre.

Foram usados tecidos como veludo e tricô.

A coleção é vegana e com aproveitamento total de matéria-prima.

Confira a seleção de looks:

Weider Silveiro

Após desfilar por quinze anos na Casa de Criadores, Weider Silveiro fez sua estreia no quinto dia de SPFW N51 com a apresentação da coleção Citá

“Pensar nessa estreia tem sido um desafio, mas também é o resultado de anos de trabalho e compromisso. Venho mostrando meu potencial criativo na Casa de Criadores há mais de uma década, para uma plateia e imprensa ávidas pro isso. Agora é a fase de fortalecer minhas criações frente a um mercado maior, levando meu trabalho para novos espaços”, declarou Silveiro.

A coleção teve trinta looks inspirados na mulher contemporânea, com peças muito bem feitas. “A mulher que eu idealizei para essa coleção é a forte, urbana, e é a que usa os gadgets, a tecnologia a seu favor”, comentou.

Foi possível ver a inspiração na Balenciaga, principalmente nos looks com segunda pele e blazers oversize.

A transparência apareceu plissada, com túnicas ou peças de material mais encorpado.

Adorei as saias com estruturas como crinolinas, peças muito artísticas e nada exageradas. Além disso, as cores fortes chamaram muito a atenção como a combinação entre verde e azul. Outro destaque foi a estampa floral com fundo escuro.

Super ligado à tecnologia, o fashion film foi uma parceria com a Apple. Nele, as modelos desfilavam e tiravam selfies.

Confira a seleção de looks:

Walério Araújo

Walério Araújo convidou amigos e modelos para comemorar seus trinta anos de carreira!

Com o tema Minha História, no fashion film apresentado pelo estilista no quinto dia de SPFW N51 apareceram Eloína dos Leopardos com um vestido de veludo preto e babados rosa, Renata Bastos, Bianca Dellafancy, Vivi Orth, que retratou Elke Maravilha, e Filipe Catto.

Sua mãe, Maria do Carmo e Mazé, sua cachorra, foram homenageadas em forma de estampas.

Johnny Luxo, de Padre Cícero, e Aretha Sadick apareceram com looks inspirados em referências religiosas, lembrando o tempo em que ficava na casa da avó.

Ele também homenageou a cidade de São Paulo com um look que imita um globo de discoteca, inspirado na noite paulistana, e outro que trouxe a padronagem da calçada.

As peças eram super coloridas e carnavalescas, bem no estilo do designer.

Confira a seleção de looks:

Flavia Aranha

Flavia Aranha encerrou a SPFW N51 com sua coleção Sopro.

“Essa coleção parte de uma ideia de que a gente é natureza. A COVID-19, a situação política do país, me fizeram pensar sobre a vida”, disse a estilista.

O fashion film apresentou mulheres de idades variadas com roupas leves e amplas, criadas com a técnica de patchwork em parceria com Artesãs de Maciel e Artesãs de Muquém.

“Respirar, suspirar, soltar. Uma dança infinita, um encontro entre a gente e o mundo, o mundo e a gente. O ar, o vento. Mulheres que sopram a vida”, escreveu Flavia.

Durante o ano de 2020, Flavia Aranha acumulou seus resíduos têxteis, quase 500kg, que serviram para criar as peças dessa coleção.

As cores foram inspiradas nas tonalidades do sol do amanhecer ao entardecer em São Luiz do Paraitinga e foram desenvolvidas a partir de sobras de alimento de seus refeições, como semente de abacate e cascas de vegetais, palha de milho crioulo, caldo de arroz negro e feijão.

Confira a seleção de looks:

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Bacharela em Direito e apaixonada por moda. Criadora do Passarelando. Escrevo sobre moda, história e arte, além de tendências, dicas, looks de Tapete Vermelho, inspirações para looks do dia e o melhor das Semanas de Moda Nacionais e Internacionais.