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No último sábado, 26/6, aconteceu o quarto dia de São Paulo Fashion Week (SPFW) N51 com mais nove apresentações incríveis.

Confira a seguir todos os desfiles do quarto dia de SPFW N51:

Rocio Canvas

O quarto dia de SPFW N51 começou com a estreia da Rocio Canvas, que trouxe a ideia do deslocamento para o seu Verão 2022.

“Não tinha como a gente se inspirar se não fosse para falar sobre deslocamento e respiro”, declarou o estilista Diego Malicheski.

Diego Malicheski, formado em desenho industrial, fundou a Rocio Canvas em 2016, nome do meio de sua mãe, que o inspirou a entrar na moda, além da palavra tela em inglês.

As criações são minimalistas, com influência da arquitetura e muita alfaiataria. Os recortes vieram como espaços para respirar.

“Mudamos em necessidades, demandas e prioridades nos últimos meses e a moda precisa refletir isso, oferecendo a ferramenta para que as pessoas mostrem seu estado de espírito por meio do que vestem”, disse Malicheski.

Havia peças funcionais e práticas como blazers, camisas, vestidos e calças em tecidos como linho, algodão, malha canelada, crepe e jeans. “A gente trabalhou com peças mais adaptáveis. As faixas que usamos, mais alongadas, tem um uso prático, por exemplo”, explicou.

O que mais me chamou a atenção na coleção, além dos casacos maravilhosos, foram as combinações de cores como verde menta e lilás.

Confira a seleção de looks:

LED

A LED de Célio Dias apresentou sua coleção Desejo Coletivo no quarto dia de SPFW N51 como uma festa em casa.

“É político e alegre, como a LED, uma liberdade como se fosse a de um sonho. Mas não gosto de pensar que é utopia, porque já vivemos assim. A questão é que isso nos foi tirado por um governo incompetente”, disse Dias.

Com o lema “esperança por dias mais felizes”, o fashion film foi dividido em miniclipes com os cantores Davi Sabbag, Bibi Caetano, Alice Caymmi e Dani Vieira.

Participaram como modelos a drag queen Halessia e a DJ Valentina Luz.

“Essa é a Casa LED, onde você pode ser e usar o que sonhar”, declarou Dias, que passou a pensar no elemento casa durante a pandemia. Por isso, o estilista trouxe peças confortáveis como pijamas.

Três estampas e cenários foram desenvolvidos com o artista João Vitor Lage. A primeira com uma ideia de como seria o éden, a segunda como um jardim e a terceira, chamada piquenique, com vichy.

Peças sem gênero, como pijamas, foram feitas em seda, linho, moletom, algodão ou sarja.

Peças do acervo da marca receberam detalhes em crochê com fios Pingouin. As receitas serão disponibilizadas para quem quiser reproduzir.

Frases fortes como “Abaixo Macho Astral” e “Uma LGBTQIA+ para presidente do Brasil” apareceram em blusas e numa canga.

Confira a seleção de looks:

TA Studios

A TA Studios foi a primeira marca do Projeto Sankofa a se apresentar no quarto dia de SPFW N51.

Gisele Caldas criou a marca feminina Fridoka & Fridoquis em 2013, como ela passou a ser sem gênero, em 2019, foi batizada de TA Studios. Atualmente, a marca une o slow living, a alfaiataria, o agênero e práticas de consumo consciente.

A coleção recebeu o nome de Adrinka, símbolos que representam mensagens de provérbios, que estampam as peças.  “Queria mostrar que a roupa pode ser um amuleto, que vai muito além de arquetipar qual seu status social ou identidade de gênero”, comentou Gisele.

Os símbolos, pertencentes aos povos Acã de Gana e Costa do Marfim, podem ser baseados em corpos celestiais, plantas, animais, objetos ou formas abstratas. Na coleção, a TA Studios usou o Akoma Ntoaso, representado por corações interligados, simbolizando união, tolerância e paciência, e o Bese Saka, que faz referência à noz-de-cola, símbolo de abundância, riqueza, poder e união.

“Chamo as minhas roupas de amuletos, como se fossem armaduras para as pessoas se vestirem nessas energias”, declarou.

Camisas estiveram presentes em quase todos os looks da coleção e foram usadas com calças e saias.

Havia conjuntos de linho, franjas e couro ecológico e tons terrosos, verde, vermelho e laranja, que remetem a rituais.

Confira a seleção de looks:

Silvério

A marca de Rafael Silvério, um dos idealizadores do Projeto Sankofa, fez a sua estreia no quarto dia de SPFW N51.

A escuridão foi o ponto de partida do estilista para criar essa coleção. “Essa matéria escura é tão benevolente que permite que se transforme tudo que desejarmos, pois nesse domínio é possível dar vozes aos desejos mais originais, reconectarmos com nossa intimidade, religiosidade e intuição”, declarou.

Além disso, Silvério quis romper a concepção de que a escuridão é ruim, perverso, a raiz do racismo.

Volumes e silhuetas românticas vieram em seis looks totalmente pretos e sem gênero com muito mix de texturas, além de elementos como recortes e sem uma das mangas.

Bombers, shorts e calças amplas também fizeram parte da coleção.

Confira a seleção de looks:

Freiheit

A Freiheit misturou o seu streetwear com o suprematismo russo e o punk rock para criar sua mais nova coleção.

A Vila Itororó, em São Paulo, que está em processo de restauração, foi o cenário perfeito para o fashion film da marca.

Estudos sobre o quadrado e o círculo do suprematismo russo, criado pelo pintor Kazimir Malevich, também serviram de inspiração para criar roupas com cortes exatos, mas sem deixar de serem amplas. “As formas como o quadrado e o círculo vieram no shape das peças, que têm um corte muito limpo e rigoroso. E para dar uma sujada, me inspirei no punk para criar as estampas”, declarou Márcio Mota, diretor criativo da Freiheit.

As estampas com estética punk em preto e branco foram desenvolvidas manualmente pelo designer Lucas Länder.

Havia vestidos, blusas e moletons com caimento reto e casacos quadrados, além de saias, bermudas e calças.

Tricôs oversize e capas e corta-ventos de náilon também estavam presentes na coleção.

Sarja, algodão, flanela e couro sintético foram outros materiais usados pela marca.

Confira a seleção de looks:

Neriage

A coleção de Verão 2022 da Neriage, intitulada Sonar, é sobre saudade e intimidade, efeito de passar tanto tempo em casa por conta do lockdown.

“Criamos uma relação íntima com nosso entorno, com nosso cotidiano. As outras lembranças, agora, parecem mais antigas, mais distantes. E, assim, a saudade cresce e ganha vida em nossos sonhos e imaginações”, declarou Rafaella Caniello, diretora criativa da marca.

A inspiração veio da obra Sentimental Journey, do fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki. “Tem uma foto da mulher dele deitada em um velho barco que me tocou muito. Quando vi aquela foto, pensei que era aquilo que eu sentia e queria mostrar. É uma sensação de liberdade e pertencimento”, contou a estilista.

As roupas eram delicadas e fluidas, com muitos quimonos com mangas amplas, babados assimétricos e plissados já clássicos da grife.

As cores ficaram entre tons de amarelo, verde, rosa e azul, além de preto e branco.

Amei os detalhes como alfinetes e os botões vintage, que deram toques especiais às peças.

Confira a seleção de looks:

Misci

A coleção Boleia da Misci foi inspirada em pessoas que saem de casa em busca de seus sonhos.

“Com o tempo, isso se materializou como uma saudade da minha casa, da minha família que não vejo há um ano e meio. E fala também muito sobre o sonho de brasileiros que não são de São Paulo e que vieram para cá atrás disso. O sonho vem de caminhão mesmo”, contou Airon Martin, diretor criativo da marca.

Foi uma viagem à sua infância. “Havia um fluxo muito grande de caminhões e minha família tinha um bar na beira da estrada”, disse.

Além disso, Airon criticou o fato de seda e algodão brasileiros serem exportados para grifes gringas e voltarem para cá com preços altos, enquanto o design brasileiro não recebe a mesma atenção. “Exportar design é exportar toda a cadeia que faz parte desse processo”.

Frases da cultura popular brasileira aparecem em jacquard.

Havia texturas, conjuntos de linho e listras com tingimento natural.

Bolsos foram colocados em camisetas e tops femininos, fazendo referência ao costume das mulheres de guardar dinheiro no sutiã.

Confira a seleção de looks:

Carol Bassi

No quarto dia de SPFW N51, Carol Bassi fez sua estreia na Semana de Moda.

Desenvolvida em parceria com o stylist Marco Gurgel, a coleção é uma carta de amor ao Rio de Janeiro. A arquitetura, a natureza e o Pão de Açúcar foram apenas algumas das inspirações.

“Todo brasileiro é um pouco carioca, porque o Rio é um amor. A luz é linda, é uma cidade que inspira em qualquer área. Ela nos fez fazer uma coleção colorida, para uma mulher moderna que quer buscar um pouco de alegria”, declarou Carol Bassi.

Os vestidos eram de mangas bufantes, com babados, leves e de tons claros como verde, azul, amarelo.

O fashion film, estrelado por Barbara Fialho, foi como um videoclipe em que a modelo canta a música Um beijo.

As peças não eram feias, mas não me impressionaram.

Confira a seleção de looks:

Isaac Silva

Isaac Silva encerrou o quarto dia de SPFW N51 com a apresentação da coleção Axé, Boa de Mata, que surgiu a partir de sua parceria com a Havaianas.

“É muito bom fazer roupas bonitas, um lindo fashion film, mas a gente precisa saber o que está acontecendo. Espero que essa moda sensibilize as pessoas e que todo mundo esteja ao lado de nossos parentes indígenas”, disse Isaac, que criou a coleção como um manifesto contra a PL 490, projeto de lei que propõe mudança na demarcação de terras indígenas.

Inspirado pela cultura afroindígena, o estilista retratou a “importância da natureza na espiritualidade dos povos negros e indígenas”, com referência a rituais de purificação e proteção.

“Eu quero que, assim como os meus, mais pessoas possam compreender a importância e força que o resgate das nossas histórias e nossos costumes têm dentro dessas megalópoles nas quais habitamos. Todos nós somos uma mistura de muitos outros, que viveram, criaram e aprenderam com a natureza antes de nós, e eu quero que essa natureza que tanto nos fornece e guarda, continue a existir”, declarou Isaac.

As estampas que estão nas Havaianas, que são as apareceram aqui, foram criadas pela artista Neon Cunha.

Verde, vermelho e amarelo, além de branco e preto, fizeram parte da cartela de cores. As capelanias africanas, tecidos estampados de Moçambique, foram reinterpretadas com desenhos indígenas e elementos de religiões africanas.

Confira a seleção de looks:

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Bacharela em Direito e apaixonada por moda. Criadora do Passarelando. Escrevo sobre moda, história e arte, além de tendências, dicas, looks de Tapete Vermelho, inspirações para looks do dia e o melhor das Semanas de Moda Nacionais e Internacionais.