O primeiro dia de SPFW N54 - PASSARELANDO

O primeiro dia de SPFW N54

Spread the love

A edição N54 da São Paulo Fashion Week (SPFW) aconteceu entre os dias 16 e 20 de novembro com 50 desfiles físicos, além das apresentações digitais. Havia uma sala de desfile no Iguatemi e duas no Komplexo Tempo, sendo que algumas apresentações foram feitas em locações externas.

Nesse primeiro post, trarei os destaques do primeiro dia de SPFW N54.

Patricia Viera

A estilista carioca Patricia Viera deu início ao primeiro dia da SPFW N54 com desfile no Iguatemi, onde acabou de abrir a sua loja, a primeira em São Paulo.

Na coleção, Patricia fez uma homenagem ao savoir-faire, aproveitando cada centímetro da matéria-prima numa política de produção com zero resíduos. As sobras viraram belíssimos mosaicos.

A atmosfera com couro metalizado e brilho, além da música dançante, era disco, como uma super comemoração após esses tempos difíceis da pandemia.

Havia calças, jaquetas, vestidos, bustiês e casacos.

O couro foi fornecido pela parceria com a Leather Labs, plataforma digital que facilita o acesso de profissionais e do consumidor final ao couro rastreado, certificado e com baixo impacto ambiental.

“A roupa da Patricia abraça vários segmentos da indústria da moda, e cada peça ganha um pouco dessa energia e desse cuidado do handmade”, declarou o Stylist Felipe Veloso.

A beleza foi feita por Celso Kamura e os sapatos eram da Schutz.

A loja do shopping conta com peças da parceria entre Leather Labs, Patricia Viera e a ONG Orientavida, que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade.

Meninos Rei

Meninos Rei de Céu Rocha e Júnior Rocha foi a primeira marca a desfilar no Komplexo Tempo nesta temporada. Os meninos apresentaram a coleção Onde Nasce a Arte, que era sobre o subúrbio ferroviário de Salvador.

O mix de estampas africanas veio, dessa vez também usada com amarelo neon e, inclusive, looks monocromáticos nesse tom neon. Uma estampa psicodélica me remeteu aos anos 1960, mas com muito mais cor. Uma outra estampa retratava uma favela.

As peças apareceram em shape mais streetwear, com pouca alfaiataria, e vestiram vários corpos diferentes.

Havia macacões, calças e shorts clochards, saias, bermudas e tops com mangas bufantes, que já são uma das marcas registradas da Meninos Rei.

Os calçados eram da Arezzo, os óculos da Corte e as bolsas e bags da Glac.

Fotos: Agência Fotosite.

Soul Básico

Essa foi a estreia presencial da Soul Básico na SPFW, marca criada por Zeh Henrique Domingues em 2019.

A coleção O Sentir Oceânico veio de uma carta do biógrafo francês Romain Rolland, vencedor do prêmio Nobel de Literatura, para Freud em 1927. Rolland usou o termo para se referir a “uma sensação de eternidade”, “um sentimento como o de algo sem limites, sem barreiras, “oceânico”, por assim dizer e esse sentimento seria a fonte de toda a energia religiosa.

A coleção é repleta de alfaiataria clean e camisas e camisetas apareceram desconstruídas com recortes e amarrações.

O denim é da linha Eco da Capricórnio Têxtil.

A água veio nos tecidos translúcidos, que contrastavam com as linhas retas da alfaiataria, sendo que um deles remetia à capa de chuva, no neoprene com ondulações e na cor azul. Faltou um pouco de fluidez e leveza.

Os colares tinham peças de madeira maximalistas.

Foram usados tons terrosos, azul, preto e branco.

Greg Joey

A Greg Joey do estilista Lucas Danuello estreou na SPFW com a coleção Slasher Tour, inspirada em filmes clássicos de terror dos anos 1980 e 1990 como Hellraiser e Pânico.

Apareceram camisetas com estampas fotográficas e com logos que faziam referência a bandas de rock, plissados, vestidos, casacos, além de alfaiataria leve e fluida.

Havia, ainda, luvas que foram usadas das mesmas cores das camisetas, o que trouxe um toque de drama aos looks.

Os sapatos são da Melissa e o jeans da Vicunha.

Walério Araújo

O veterano Walério Araújo trouxe uma coleção gótica, mas sem perder o glamour com muito brilho e sensualidade.

Os looks eram em sua maioria pretos, com muita textura, e havia um ou outro rosa, roxo e prata.

Havia macacões de renda, saias, capas e luvas de tule, body, calças de cintura baixa, croppeds, macacões e saias pesadas de veludo, peças com franjas metálicas e plumas, plissados, caveiras, morcegos e corações.

A coleção apresentou um contraste entre o sensual, com máscaras e coleiras de BDSM, vinil e couro e religiosos com bordados e acessórios de cruz e uma modelo desfilou com um vestido com a estampa de Cristo e uma coroa de espinhos.

Os sapatos são da Melissa.

Renata Buzzo

Renata Buzzo apresentou sua coleção Cavum, buraco em latim. Essa temática veio da descoberta de Buzzo ter um buraco no sistema límbico, responsável pelas respostas emocionais e, em sua pesquisa, constatou que nos anos 1960 e 1970, muitos dos pacientes de centros de internação apresentavam essa condição.

“Encontrei um buraco.
Chamam-no Cavum.
Uma enorme fissura
por onde me entram
angústias que em tese,
eu saberia lidar.”

Nesse universo criado pela estilista, havia mulheres consideradas loucas. As modelos até paravam e olhavam para os lados, como se ouvissem vozes ou tivessem acabo de acordar de um devaneio.

As peças tinham texturas como pequenas franjas, plumas, aplicações e sobreposições de tule.

As cores claras como branco, off-while, azul e rosa vieram dos centros hospitalares.

Apareceram casacos que pareciam camisas de força.

A beleza, as toucas, os óculos de natação, bem como a cor azul me remeteram à água. Talvez uma tentativa de trazer calmaria?

Os sapatos são uma colaboração com a Urban Flowers.

Gostou do post? Compartilhe-o!

Siga-me no instagram: @passarelando

Acompanhe minha página no Facebook: Passarelando

Acompanhe-me no Youtube

 

Autor: Lívia Corazza

Bacharela em Direito e apaixonada por moda. Criadora do Passarelando. Escrevo sobre moda, história e arte, além de tendências, dicas, looks de Tapete Vermelho, inspirações para looks do dia e o melhor das Semanas de Moda Nacionais e Internacionais.