Stella McCartney
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As pessoas começaram a perceber e, o que é ainda melhor, preocupar-se com as consequências ambientais de suas ações  nas florestas que ficam a milhares de quilômetros de distância ou nos oceanos. 

Dessa forma, além de cobrar mais informações de fornecedores, aumenta cada dia a procura pela moda sustentável. 

Fashion Pact

 Na última sexta-feira, 23/8, na véspera da reunião do G7, foi apresentado o Fashion Pact, elaborado sob pressão política da França. 

De acordo com a Global Fashion Agenda, o Fashion Pact reúne as grandes empresas da indústria da moda do mundo todo. Essas empresas se comprometem com metas de áreas como clima, biodiversidade e oceanos, a fim de reduzir o impacto da indústria. 

A iniciativa é liderada por François-Henri Pinault, presidente e diretor executivo da Kering, uma holding francesa que detém marcas como Gucci, Bottega Veneta, Yves Saint Laurent, Alexander McQueen e Balenciaga

Marcas que se comprometeram

Até agora, 32 grandes empresas assinaram o Fashion Pact. Isso significa aproximadamente 150 marcas e apenas 30% da indústria. 

O Pacto está aberto para que mais participantes possam aderir e, assim, unir forças para minimizar o impacto ambiental da moda. Dentre os assinantes estão Chanel, Hermès, Capri Holdings (proprietária da Versace e Jimmy Choo), PVH (proprietária da Calvin Klein), Adidas, Nike, Inditex (proprietária da Zara), H&M, Selfridges, Galeries Lafayette e Nordstorm.

Nesta semana, mais 24 empresas se comprometeram com o pacto, elevando o número para 56 assinantes. Dentre as novas empresas que aderiram ao Fashion Pact estão Auchan Retail, Bally, Grupo Calzedonia, Celio, Grupo Darmartex, Decathlon, Eralda, Grupo Etam, Farfetch, Figaret, Gant, Geox, Grupo Beaumanoir, Grupo Eram, Grupo GTS, Kiabi, Lady Lawyer Fashion Archive, Mango, Nana Judy, Paul & Joe, Promod, Spartoo-Andre, Visuality Corporation e El Corte Inglés. 

Dados atuais

O Pacto diz que a indústria da moda de US$ 1,66 trilhões é uma das maiores, mais dinâmicas e influentes indústrias do planeta, além de uma das mais impactantes e que, portanto, deve desempenhar um papel crucial na condução da mudança para um futuro mais sustentável. 

Informações da Business of Fashion dizem que “de acordo com o Ministério Francês da Ecologia, o setor têxtil representa 6% das emissões globais de gases de efeito estufa e 10-20% do uso de pesticidas; lavagem, solventes e tingimentos usados em seus processos de fabricação são responsáveis por um quinto da poluição industrial da água; e a moda é responsável por 20-35% dos fluxos de microplásticos no oceano.” 

Os dados são chocantes, não são? 

Objetivos do Pacto

Ainda de acordo com a Business of Fashion, “as empresas que assinaram o pacto se comprometeram a estabelecer metas de emissões consistentes com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais e atingir emissões líquidas nulas em 2050.”

Espera-se, ainda, que sejam estabelecidas “metas para proteger e restaurar os ecossistemas ameaçados por suas atividades, e que sejam tomadas medidas para reduzir a poluição oceânica, como a eliminação de plásticos descartáveis até 2030, além de apoiar inovações para evitar a poluição por microfibras.”

Para atingir os objetivos traçados, muitas empresas terão que realizar grandes investimentos. Algumas delas já estão no meio do caminho. Stella McCartney substituiu plásticos virgens por poliéster reciclado e ela usa materiais que sobraram de suas coleções anteriores para a confecção de novas. A Zegna, por sua vez, trabalha para que seus ternos possam ser recicláveis no futuro. A Prada prometeu usar apenas nylon reciclado e, no mesmo caminho, a Zara está mudando seu foco para materiais orgânicos e reciclados.

Problemas do Pacto

Vale ressaltar que o Pacto apenas traz diretrizes que não são legalmente vinculantes, ou seja, não há sanções para o descumprimento de alguma delas. A intenção é que os signatários apresentem relatórios anuais sobre seu progresso. 

Dessa forma, cabe a nós, os cidadãos, os consumidores que devemos ser os maiores fiscalizadores!

Além disso, precisamos ficar atentos às empresas que assinaram o pacto, mas que insistem em usar peles. O ideal seria banir o uso de peles, já que além do bem-estar animal, a produção é uma atividade nociva, como pecuária intensiva e introdução de espécies invasoras. 

Um outro ponto importante é que grande parte que causa impacto ambiental está no fornecimento da matéria-prima. O Pacto reconhece isso, dizendo que “todos os compromissos se concentrarão na primeira milha das cadeias de suprimento da moda, já que é uma grande parte dos impactos do setor”.  

Principalmente no setor de luxo, deve-se ter uma grande fiscalização das marcas signatárias para com seus fornecedores a fim de cumprir as novas metas. 

Por fim, como relatado acima, apenas 30% da indústria da moda resolveram aderir ao Pacto, o que está longe de ser o ideal. 

Considerações finais

Apesar de suas falhas, não se pode negar que se trata de um documento único e inovador e que pode render muitos frutos, criando cada vez mais uma consciência ambiental na população e, como consequência, maior cobrança de medidas dos governos, para que sejam criadas leis e que haja um fiscalização rígida.

 

Clique aqui para ler o Fashion Pact