Maria Grazia Chiuri, diretora criativa da Dior, inspirou-se no artista italiano Tomaso Binga, uma mulher que, na década de 70, assinou seu trabalho pseudonimamente como um homem como protesto contra a cultura misógina nas artes. 

Nas paredes do local, fotografias de mulheres nuas em poses de alfabeto montavam frases da artista Bianca Pucciarelli Menna, conhecida por Tomaso Binga. 

Binga leu um poema sobre a promessa de uma vitória feminista sobre o patriarcado. 

O título do trabalho da ativista Robin Morgan, Sisterhood is Global, apareceu na camiseta de abertura do desfile. 

Além disso, Chiuri buscou inspiração nas Teddy Girls, as mulheres operárias da Grã-Bretanha pós guerra, que gostam de rock’n’roll e de clubes em uma mistura de jaquetas masculinas, saias largas, jeans, couro e veludo. 

Chiuri também puxou no arquivo da Dior uma jaqueta de couro preta feminina dos anos 50, adição de Yves Saint Laurent. 

Jaquetas de lenhador com franjas, saia de tule translúcidas ou de jacquard flutuante, ou com flores 3D ou tafetá cortado, além de um cinto. 

Macacão, saia, xale, calça, corpete. Coloque essas peças como quiser, misturando tecidos tradicionais e novos. São peças versáteis que podem ser usadas de várias formas diferentes. 

“Eu acho que um vestido tem que ser usável. Caso contrário, é uma obra de arte que você pode colocar na sua parede. Você tem que fazer peças criativas para a vida real. Se eu compro algo é porque eu quero usá-lo todos os dias”, declarou Chiuri. “Eu não acho que uma marca como a Dior tenha que ser tão próxima da ideia de sazonal. Você não compra uma peça apenas por uma temporada”, completou. 

A rebeldia da princesa Margaret, que usava Dior na década de 1950, inspirou Chiuri a criar a saia que vem cor de esmeralda, tartan e jeans, presa na cintura por um cinto de couro grosso. 

Os vestidos de baile vieram com jaquetas de couro ou combinados com meias e botas de kitten heels

Cada modelo usava um bucket hat, predominantemente em vinil à prova d’água, com um véu abaixado sobre os olhos. Para completar o look, capas de chuva quadriculadas. 

Sapatos cravejados de joias com kitten heels ou botas Wellington. 

Esse desfile da Dior foi dedicado a Karl Lagerfeld, “o alquimista de elegância e beleza”, com quem Maria Grazia trabalhou na Fendi no início da carreira. 

Confira a seleção de looks:

 

Fonte: British Vogue.