Virginie Viard, diretora criativa da Chanel, transportou-nos à “Paris-31 rue Cambon” para o Métiers d’Art, Coleção Pre-Fall 2020.

O cenário

O endereço é lendário, onde Gabrielle Chanel começou a trabalhar como chapeleira em 1910 e, depois, expandiu seu império da moda com ateliers e salões de alta-costura.

Além disso, Viard evocou o apartamento de Coco – um estúdio preto, bege, cristal e ouro velho, que ainda está preservado da forma como Chanel o deixaram em 1971 – e a famosa escadaria espelhada, onde a estilista espiava as reações de suas clientes nos salões.

Assim, Virginie Viard e Sofia Coppola transformaram o Grand Palais. “As coisas de que gostamos, uma mistura de Karl e Chanel – os códigos”, forma como Viard teria descrito essa coleção.

O desfile

Espigas de trigo douradas do apartamento de Chanel foram bordadas em cardigãs de tule preto, encolhidos sobre calças de crepe preto e num curto vestido de noite decorado com cordas de pérolas. Estampas de antigos biombos foram usadas em bolsos e nos punhos.

As coleções Métiers d’Art mostram o trabalho de fornecedores de luxo da indústria da moda – bordadores, fabricantes de penas e flores artificiais, chapeleiros, sapateiros personalizados etc. – muitos dos quais a Chanel adquiriu para manter essa herança viva. Ternos de tweed com as bainhas franjadas, bolero de penas largas estampado com padrão das camélias da Chanel e um blazer de penas xadrez.

Viard aposta no atemporal, com uma cartela de cores mais simples e em elementos próprios da Casa como as camélias e as pérolas.

Por mais simples que os primeiros looks possam parecer, casacos clássicos ou vestidos feitos com lã grossa, tinham amarrados faixas de chiffon que eram ricamente bordadas em ouro e joias. Um truque incrível para dar vida a uma peça lisa e clássica.

O desfile se iniciou e terminou com looks pretos monocromáticos, mas fomos felizmente surpreendidos com tons de rosas quentes, bordô e corais e, até mesmo em degradê e tie-dye.

As saias eram usadas nos quadris com jaquetas mais curtas, em proporções quase que de bolero, deixando a barriga exposta para chamar a atenção para cintos de diamanté e outros em corrente de ouro e couro com fios de pérolas usados em camadas.

Chamo a atenção para o charme das bolsas em formato de gaiolas e para as famosas joias de diamante de Chanel de 1932 bordadas num vestido de noite curto com penas pretas brilhantes.

Algumas das bolsas eram minúsculas, vindas de uma campanha de 1991 do Chanel No.5 estrelado por Vanessa Paradis.

Confira a seleção de looks: